Oi gente

 

Pois bem. Eu me prometi desde o início do MSF que não misturaria vida pessoal com os assuntos do blog. Mas é inevitável né… Hoje vocês conhecem minha família, minhas gatas e até partes da minha casa e rotina…
Isso porque sinto esse ambiente como um enorme grupo de amigas, e como tais, quero sim dividir momentos de alegria… E também de revolta! Como é o caso hoje.
A maioria das minhas leitoras sabem que minha filha mais velha, Rebeca, é especial. O nome é complicado, mas se entende bem quando digo que é paralisia cerebral, pois as seqüelas são as mesmas.
Ela tem hoje 10 anos, e desde os 2 usa cadeira de rodas adaptada, pois não sustenta o tronco nem a cabeça. Esse tipo de cadeira sozinha custa em média 1000,00 reais. Com as espumas, cintos, abdutores e encostos de cabeça e braço salta pra quase 2000,00 reais ou até mais, dependendo do que o paciente precise.
É caríssimo!!
A dela é a mesma cadeira desde os dois anos. Usou até os 5 anos e reformou pra usar até hoje. E hoje, pré adolescente, precisa de uma nova cadeira pois essa não a comporta mais com eficiência, muito menos conforto. Hoje ela está assim:

Ela foi feita em corvin para facilitar a limpeza. Mas dá até pra ver que tanto o encosto como o assento já deformaram com o tempo de uso. O encosto de cabeça também não é o original, pois este ficou muito pequeno. Pegaram de outra cadeira na escola dela.

No abdutor de pernas o tecido rasgou. E agora no calor isso pinica as peninhas dela. Tenho que forrar pra não machucar.

O apoio de pés então…

As rodas nunca trocadas, estão bem carequinhas

Os apoios laterais também rasgaram. ali no buraquinho, o braço dela esbarra na madeira que agora está aparente

Vamos ao caso em si: essa cadeira foi recebida pela prefeitura de São Bernardo do Campo através do órgão SEDESC. Nossa cidade já foi eleita a melhor em assistência para deficientes do estado de São Paulo. Muita gente vinha de longe buscar tratamento aqui.
Mas depois que o atual prefeito Luiz Marinho assumiu o posto, pouquíssimo tempo depois esse órgão foi fechado, e esse tipo de assistência como cadeiras de rodas, órteses foram cortados. COR-TA-DOS.
Então, quem assumiu a responsabilidade foi o Estado.
Quem realiza esse serviço agora para nossa região é a APRAESP em Ribeirão Pires  (município próximo). E para se conseguir a cadeira por lá, a fila de espera é de meses, pois a demanda é enorme.
Estávamos desde Abril na fila de espera. Quando finalmente a UBS responsável pelo bairro me ligou dizendo que tinha uma guia pra Rebeca no posto pra eu ir buscar. No dia 6 de novembro de 2014, 8:30h da manhã a moça me ligou novamente dizendo pra eu buscar a guia porque a consulta da cadeira de rodas seria no dia seguinte, dia 7, às 11h.
Ok! Fui à UBS pegar a guia e eis a notícia: a consulta estava marcada para o dia 6/11 às 7h da manhã, e não dia 7/11…. Perdemos a consulta.
7 Meses de espera foram por água abaixo. Claro que não saí de lá enquanto não resolveram. A administração da UBS orientou a ligar em duas semanas que provavelmente já teriam uma nova data para medir e confeccionar uma nova cadeira.
Duas semanas depois, liguei, expliquei a situação, e a moça que falei disse que havia conversado com a equipe e que eu estava equivocada. Que a história não era o que eu havia falado. Oi?
Enfim, encerrei a ligação com um e-mail enviado pela pessoa que me atendeu ao centro regulador (onde marca essa consulta) pedindo urgência para um novo agendamento. E uma promessa de retorno quando agendassem.
Claro que ninguém me ligou. Liguei nos dias seguintes e a pessoa agora nunca estava no posto, ou estava em reunião, ou em horário de almoço….
Hoje, dia 11/01/2015 fui até lá e falei novamente com a moça da administração. Ela disse que não tinha uma posição (dois meses depois!) e que não tinha o que fazer. Pedi telefones, do centro regulador, do raio que o parta… Ela negou dizendo que eles não atendiam pacientes. Pedi pra ela ligar então na minha frente. Se recusou. Disse que no máximo mandaria e-mail pedindo urgência no reagendamento (isso já foi feito dois meses atrás fia…)
Mandou o e-mail e me deu um telefone da ouvidoria pública (que claro, nunca atende), e me  disse que assim que respondessem ao e-mail, me ligaria. Assim como da outra vez, que ainda to esperando…
Saí transtornada do posto. Não vi uma solução e saí logo pro twitter, pedindo ajuda para o CQC, e fiz o compartilhamento sobre o assunto.
Liguei para o gabinete do vereador Raphael Demarchi, também ouvi a promessa que alguém me ligaria e nada…
Gente, a gente se sente um lixo nesses momentos… O que fazer?
Daí pensei nesse post e contaria com a ajuda de você, que leu até aqui e certamente se indignou comigo, a compartilhar e fazer um protesto enoooorme pra ver se algo acontecia… Se alguém se mexia…
A boa notícia é que teve repercussão, e um anjo me contatou para doar a cadeira dela! SIM!! Minha princesa ganhou a cadeira!!! Isso me deixou sem chão, eu ri e chorei e me tremi…. Foi incrível!!
Ainda estamos flutuando aqui!!! Ela abriu aquele sorrisão quando contei!!
Fiquei muito feliz mesmo!!! Mas ainda sinto o sentimento de que a justiça não foi feita. Afinal, é um direito dela ter a cadeira pelo governo! E outra: ELA (graças à Deus) ganhou a cadeira. Mas e quem ainda vai esperar meses?? Gente, a minha pequena pesa, é uma pré adolescente. Mas ainda consigo carregar. Tem mães senhorinhas que tem filhos adultos enormes que não tem como se locomover. Como faz? Pega no colo? E estão lá, aguardando sua vez…
Peço mesmo, de coração, que compartilhe! Peça pra amigos compartilharem, tem muita gente que precisa!! Muita mesmo!!
O CQC entrou em contato à tarde e disseram que em fevereiro começarão a fazer as gravações do  quadro Proteste Já. Espero de coração que esta pauta entre. Não é só na APRAESP, mas também na AACD, APAE… É uma crise geral!!
Conto com sua ajuda, leitor e leitora…. E de coração, agradeço seu compartilhamento. Um beijo enorme no coração e fique com Deus!
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Written by Clarice Soares Di Sessa